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Equipe Topo

123 Milhas, Light, IRB: o padrão silencioso por trás dos colapsos contábeis

Três empresas, três setores, três crises. Em todos os casos, a contabilidade dizia uma coisa e a realidade outra -- por meses ou anos. O que esses casos têm em comum, e o que faltou.

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Três setores, um padrão

Resseguro, energia, viagens. Três mercados regulados, três modelos de negócio distintos, três trajetórias diferentes. E ainda assim, IRB, Light e 123 Milhas compartilham um mesmo arco narrativo entre 2020 e 2023: anúncios de lucro saudável, sinalizações externas de inconsistência, demora interna em reconhecer o problema, colapso.

A coincidência não é setorial. É processual. Nos três casos, a contabilidade não errou no dia da crise. Errou por meses ou anos antes, sem que o controle interno percebesse ou sinalizasse.

IRB: o lucro que não existia (2020)

Em fevereiro de 2020, a gestora Squadra publicou uma carta a cotistas dizendo que o IRB Brasil Resseguros, que reportava lucro de R$ 1,39 bilhão em nove meses de 2019, teria na verdade prejuízo de R$ 112 milhões no mesmo período. Em poucos dias, a empresa enfrentou crise reputacional severa.

A situação piorou quando o IRB e seu vice-presidente de finanças alegaram que a Berkshire Hathaway, de Warren Buffett, teria ampliado posição na companhia. A Berkshire negou publicamente em poucos dias. A SEC abriu processo nos Estados Unidos. A CVM multou o ex-diretor em R$ 20 milhões. A ação da empresa, que havia sido uma das queridinhas do mercado, perdeu mais de 90% do valor em um ano.

O caso IRB não foi apenas um erro contábil. Foi um esquema de comunicação que só foi possível porque a própria contabilidade interna não tinha solidez para refutar. Quando um departamento de relações com investidores afirma um número e a contabilidade não consegue, com trilha de auditoria só de inclusão, mostrar outro, a empresa fica refém do que é dito externamente.

123 Milhas: a despesa que virou ativo (2023)

Em agosto de 2023, a 123 Milhas pediu recuperação judicial deixando cerca de 800 mil credores. O passivo declarado ultrapassou R$ 2,4 bilhões. A investigação posterior revelou que bilhões de reais em despesas com publicidade e marketing haviam sido classificados como "ativos intangíveis" no balanço, em vez de despesas operacionais.

A diferença de classificação parece técnica. Os efeitos são concretos. Despesa reduz lucro do período. Ativo intangível preserva o lucro e adia o impacto. Com o lucro inflado, os sócios da família controladora foram remunerados em R$ 44,4 milhões ao longo de anos -- valores que não deveriam ter sido distribuídos com a saúde financeira real da empresa.

O ponto mais grave: durante audiência na Câmara dos Deputados, o próprio contador da empresa declarou não ter condições de avaliar a saúde financeira da operação. Era uma confissão involuntária de que o sistema de controles internos, do ponto de vista prático, não existia.

Light: a contabilidade não salvou o caixa (2023)

Em maio de 2023, a Light entrou em recuperação judicial com dívida estimada de R$ 11 bilhões. O caso é diferente dos dois anteriores -- não houve fraude documentada. Houve, sim, deterioração operacional combinada com endividamento crescente e geração de caixa insuficiente para honrar compromissos.

Mas o caso Light expõe um terceiro tipo de falha: a contabilidade que reflete corretamente uma realidade difícil, mas que não gera sinais de alerta acionáveis no momento certo. A empresa fechou 2022 com prejuízo de R$ 5,6 bilhões. Em abril de 2023, a justiça suspendeu pagamentos. A trajetória foi rápida.

Em casos como esse, a contabilidade não falha em fidelidade. Falha em utilidade. Números corretos chegam ao final do trimestre, sem que os indicadores intermediários (conciliações mensais de caixa, projeção de vencimentos, alertas de SLA) tenham gerado conversas duras três ou seis meses antes.

O que une os três casos

Três cenários distintos -- fraude ativa, classificação indevida, deterioração não sinalizada -- mas o vetor comum é o mesmo: ausência de controles intermédios que mostrassem a realidade antes do colapso virar público.

CasoFalha estruturalO que teria sinalizado antes
IRBComunicação externa sem ancoragem contábilConciliação técnica auditável publicada internamente
123 MilhasClassificação contábil sem revisão independenteRevisão mensal de plano de contas com aprovação formal
LightDeterioração sem alerta de caixaSLA de conciliação com escalação automática

Onde mora a prevenção

Casos públicos viram material de aula porque o desfecho é dramático. O risco real, para a maior parte das empresas, não é virar manchete. É viver uma versão menor do mesmo arco, sem dimensão para virar caso de estudo, mas com impacto suficiente para destruir uma operação saudável.

A prevenção não mora em auditoria anual. Mora no ritmo. Empresas que conciliam mensalmente com workflow estruturado, evidência anexada, aprovação por terceiro e trilha de auditoria só de inclusão constroem um sistema de alerta antecipado que opera independente de boa vontade individual. Empresas que conciliam quando dá tempo, em planilha compartilhada, sem aprovação formal, vivem da sorte de nenhum dos vetores de IRB, 123 Milhas ou Light se materializar internamente.

A diferença de custo entre os dois modelos é modesta. A diferença de risco é categórica.

Conciliar mensalmente com workflow, evidência anexada, aprovação por terceiro e trilha de auditoria só de inclusão é fácil de descrever em uma página. Sustentar essa disciplina em escala, com time real e prazos reais, é o que separa empresas seguras das que descobrem o próprio problema no jornal. A TOPO foi construída para que esses controles sejam o caminho de menor resistência, não o de maior. Conheça o módulo de conciliação.

Fontes